Ater Mulher fortalece autonomia produtiva de quilombolas com oficina de enxertia

Capacitação integra estratégia da Emdagro para geração de renda, sustentabilidade e valorização do saber popular no campo

Inserida em um processo contínuo de fortalecimento da autonomia produtiva e social das mulheres do campo, a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) vem consolidando, por meio do Projeto Ater Mulher, uma agenda permanente de ações formativas junto às comunidades quilombolas do estado. Nesse contexto, a Comunidade Quilombola Patioba, no município de Japaratuba, foi contemplada com mais uma oficina de capacitação, desta feita voltada à enxertia em mudas frutíferas, técnica estratégica para ampliar a sustentabilidade e a geração de renda na agricultura familiar.

A atividade reuniu 35 participantes, entre mulheres quilombolas beneficiárias do projeto, equipe técnica da Emdagro e alguns homens da comunidade, que também participaram da oficina por reconhecerem a relevância da temática para o fortalecimento da produção local. A presença masculina, segundo os organizadores, reforça o caráter coletivo e integrador das ações desenvolvidas no território.

A oficina foi conduzida pelo técnico Manoel Menezes, da Emdagro, que através de uma abordagem prática e linguagem acessível, transformou o momento em um espaço de diálogo e troca de saberes entre técnicos e agricultores. “É muito bom esse contato direto com homens e mulheres do campo, porque a gente tem chance de trocar experiência”, destacou Menezes.

Os conteúdos trabalhados foram organizados em etapas teóricas e práticas, sempre estimulando a participação ativa dos envolvidos. Entre os temas abordados estiveram os materiais necessários para a realização da enxertia, os diferentes tipos de enxerto, a possibilidade de enxertia entre espécies distintas, o tempo de desenvolvimento das plantas e a importância da técnica para a diversificação e melhoria da produção frutícola. Durante o processo, as participantes compartilharam vivências e experiências já desenvolvidas em suas propriedades.

Aprendizado pela prática

O momento prático ganhou destaque ao adotar a metodologia do “aprendizado pela prática”, permitindo que as mulheres realizassem diretamente os enxertos. Para a atividade, a Emdagro disponibilizou 67 mudas frutíferas, entre elas jaca, carambola, seriguela, jambo, tamarindo, pitomba e pitanga. Parte das mudas foi utilizada durante a oficina e o restante doado às participantes, enquanto representantes da comunidade também contribuíram com mudas trazidas de suas propriedades.

Para a assessora técnica da Emdagro, Abeaci dos Santos, a ação reforça a importância de reconhecer e fortalecer o conhecimento construído historicamente no meio rural. “Quando valorizamos o conhecimento popular, entendemos que homens e mulheres do campo são plenamente capazes de construir uma base sustentável de desenvolvimento em suas próprias comunidades”, observou, ao destacar o papel do Ater Mulher na promoção da autonomia produtiva e social das famílias atendidas.

As atividades desenvolvidas na Comunidade Patioba integram um conjunto mais amplo de ações previstas pelo Projeto Ater Mulher, que contempla oficinas e capacitações em áreas como criações animais, agroecologia, corte e costura, produção artesanal e processamento da produção. Parte dessas iniciativas é financiada pelo próprio projeto e outras contam com parcerias institucionais, a exemplo do Banco do Nordeste.

A relevância das ações é potencializada pelo fato de a comunidade contar com um espaço de processamento de frutas e outros produtos alimentícios, recentemente construído. No local, são produzidos derivados do caju, bolos e outros alimentos, alguns deles comercializados por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com fornecimento para escolas de diversos municípios da região, ampliando as oportunidades de geração de renda local.

Com uma atuação continuada e integrada, a Emdagro reafirma, por meio do Ater Mulher, seu compromisso com o desenvolvimento rural sustentável, a valorização das mulheres do campo e o fortalecimento das comunidades quilombolas sergipanas.

Emdagro debate processamento de frutas e geração de renda para mulheres

Encontro promovido pela Emdagro reuniu agricultoras para discutir aproveitamento da produção local e definir oficinas formativas a partir de fevereiro

Uma roda de conversa realizada com as mulheres do Assentamento de Reforma Agrária Priapu, esta semana, no município de Santa Luzia do Itanhy, abriu espaço para o compartilhamento de propostas de trabalho voltadas ao processamento de frutas e a outras atividades produtivas capazes de gerar trabalho e renda para as mulheres da comunidade. A ação integra o conjunto de iniciativas desenvolvidas pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), por meio do escritório regional de Estância.

O encontro contou com a participação de 11 mulheres do assentamento e da equipe técnica da Emdagro lotada em Aracaju, formada pelas assessoras Abeaci dos Santos, Elizabeth Denise Campos e Maria Cleusa Guimarães. Durante a roda de conversa, as participantes compartilharam vivências pessoais e coletivas, com destaque para os relatos da juventude do assentamento.

As discussões abordaram histórias de vida dentro e fora da comunidade, as possibilidades de dinamizar os potenciais produtivos existentes e a importância da organização social como ferramenta de fortalecimento econômico. Também foram citadas iniciativas locais, como feiras, eventos comunitários e datas simbólicas, a exemplo da comemoração da conquista da terra, celebrada em 5 de março, vistas como oportunidades estratégicas para ampliar a geração de renda das famílias.

Para a assessora técnica da Emdagro, Abeaci dos Santos, o momento foi fundamental para ouvir as mulheres e construir coletivamente os próximos passos. “Essa escuta é essencial para que as ações tenham sentido real na vida das mulheres do assentamento. Quando elas compartilham suas histórias, seus saberes e suas expectativas, conseguimos planejar oficinas e atividades que dialogam com a realidade local e valorizam os potenciais que já existem na comunidade”, destacou.

Com foco no aproveitamento da produção local, especialmente de frutas e verduras, o grupo definiu uma série de encaminhamentos. Entre eles, o mapeamento do volume produzido no assentamento, com o objetivo de orientar de forma mais precisa os processos de beneficiamento e processamento. Também ficou definida a realização das primeiras oficinas formativas no mês de fevereiro, após o período do Carnaval, com datas sugeridas para os dias 3, 10 e 24, no turno da tarde, das 13h às 16h, considerando que algumas participantes estudam pela manhã.

Outro encaminhamento foi o levantamento prévio dos materiais necessários para a realização das oficinas, além da promoção de uma nova roda de conversa entre as técnicas da Emdagro que poderão atuar como facilitadoras. Participarão desse momento profissionais dos municípios de Lagarto, Simão Dias, Estância e Ribeirópolis, com o objetivo de alinhar as estratégias metodológicas a serem aplicadas nas atividades formativas.

Com 36 anos de existência, o Assentamento Priapu já não mantém vínculo institucional com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o que reforça a importância de ações articuladas com a Emdagro no sentido de contribuir para o fortalecimento produtivo, social e econômico das famílias, especialmente das mulheres, protagonistas das iniciativas debatidas no encontro.

 

Criação de OCS impulsiona agricultura orgânica e fortalece organização coletiva em São Cristóvão

Com apoio técnico da Emdagro, iniciativa garante respaldo legal à produção orgânica, amplia acesso a mercados institucionais e fortalece a cooperativa de agricultores familiares


A agricultura familiar de São Cristóvão inicia um novo ciclo com a criação da Organização de Controle Social (OCS) Cidade Mãe, iniciativa que representa um avanço significativo para a produção orgânica e sustentável no município. A ação abre caminho para que agricultores familiares passem a comercializar seus produtos como orgânicos, com respaldo legal, ampliando mercados e fortalecendo a economia local.

A OCS é um mecanismo reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) que permite a venda direta de produtos orgânicos sem a necessidade de certificação por auditoria. O modelo se baseia no controle social, realizado de forma coletiva pelos próprios agricultores, garantindo o cumprimento das normativas da produção orgânica, reduzindo custos que, muitas vezes, inviabilizam a permanência de pequenos produtores na atividade orgânica.

Com a formalização da OCS, os agricultores passam a ter acesso a políticas públicas estratégicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de poderem identificar seus produtos como orgânicos em feiras livres. A medida agrega valor à produção, contribui para a segurança alimentar e promove alimentos mais saudáveis para a população.

A Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) através da Coordenadoria de Agroecologia e Produção Orgânica teve papel fundamental no apoio à iniciativa, atuando desde a orientação técnica sobre o funcionamento da organização coletiva e preenchimento dos formulários de cadastros que culminou na criação da OCS. A instituição também garante assistência técnica continuada, com foco nos sistemas de manejo agroecológico de produção.

Segundo o coordenador de Agroecologia e Produção Orgânica da Emdagro, Waltenis Braga, a iniciativa consolida uma política de fortalecimento do campo baseada no controle social e na sustentabilidade. “A OCS é um instrumento estratégico para a agricultura familiar, porque promove autonomia, reduz custos e assegura credibilidade à produção orgânica. A Emdagro tem atuado lado a lado com os agricultores, oferecendo assistência técnica e apoiando as organizações e demais movimentos sociais, para garantir o fortalecimento da agroecologia no Estado”, destacou.

O agricultor José Renilson Barros, conhecido com Dedé da Verdura, hoje coordenador da OCS Cidade Mãe, não escondeu sua alegria pela criação da entidade. “Estar aqui hoje dando início à realização de um sonho é muito gratificante. Trabalho com orgânicos há mais de 16 anos e venho lutando para que nós estivéssemos organizados como empreendedores que somos. Tenho muito orgulho do que estamos construindo hoje porque só quem ganha são os agricultores, o município e a sociedade que irá consumir produtos agroecológicos”, comemorou.

Seu Dedé reconhece a parceria da Emdagro não só no processo de criação da OCS. “A Emdagro, nas pessoas dos técnicos Renato e Waltenis, nos tem dado um apoio importantíssimo não só na orientação técnica nessa parte da agricultura orgânica, mas também no passo a passo da criação e fundação da OCS Cidade Mãe, dos documentos necessários para nos tornamos uma organização social e na articulação junto ao ministério para a certificação dos produtos de origem agroecológica”, reconheceu.

A criação da OCS Cidade Mãe no início do ano simboliza o compromisso do município com o desenvolvimento rural sustentável. Em uma região de forte tradição agrícola, a organização coletiva surge como ferramenta essencial para fixar o homem e a mulher no campo, gerar renda com dignidade e preservar práticas produtivas que respeitam o meio ambiente e a saúde da população.

Última atualização: 15 de janeiro de 2026 12:15.