4 de novembro de 2022 10:22

Novos estudos da tuberculose bovina vão definir a prevalência da doença em Sergipe


O exame é a única forma de prevenção para a tuberculose em animais


A tuberculose bovina é uma doença perigosa e que afeta criadores em todo o Brasil. Apesar de não haver dados suficientes sobre os números de casos da doença em Sergipe, ela está presente no nosso Estado, e sua única forma de prevenção é o exame. Este cenário deve mudar, em breve, com a realização de novas pesquisas na área, que ajudarão a definir dados reais dos casos da doença no Estado.

De acordo com Edizio Oliveira de Azevedo, professor de doenças epidemiológicas e infecciosas de animais domésticos, da Universidade Federal de Sergipe, UFS, a frequência de casos de tuberculose nos abatedouros é baixa, o que não quer dizer que a doença seja incomum. “Na hora do abate nos matadouros, sempre aparece um ou outro animal com lesões semelhantes às de tuberculose. A frequência é baixa mas não diria que são raros”, completa.

Com o intuito de difundir a importância da prevenção e avançar em algumas pesquisas nessa área, a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe, EMDAGRO, e a UFS, estão ajustado um convênio para uma pesquisa que levantará dados sobre os casos de lesões da doença no Estado. “A ideia é que os inspetores nos enviem as amostras das lesões nos animais para que possamos analisá-las nos laboratórios e saber se são lesões de tuberculose”.

Nos animais, as lesões podem surgir em diversos órgãos e tecidos, como pulmões, fígado, baço e até nas carcaças. No entanto, a depender da fase de infecção, as alterações causadas pela tuberculose são imperceptíveis. Devido à ausência de uma vacina para a doença em animais, o animal doente deve ser isolado do contato com os outros e realizado um teste para saber confirmar a doença. Com o resultado positivo, os animais são abatidos.

O veterinário da EMDAGRO, Diogo Telles Corcunda Maia, reforça que exame preventivo é o grande aliado do criador para o controle e prevenção da doença. Segundo Maia, apesar de existir um Programa de Controle Nacional da Brucelose e Tuberculose, Sergipe ainda está atrasado no que diz respeito ao cumprimento das normas deste. No entanto, este cenário poderá mudar com a realização do inquérito nacional para identificar a doença – que em Sergipe terá início em Outubro -, através do Ministério da Agricultura e Universidade Federal de São Paulo – UPS. Segundo o veterinário, trata-se de um estudo sorológico da tuberculose para identificar a prevalência da doença, e decidir quais medidas tomar a partir dos resultados – seja manter o controle ou fazer a erradicação da doença. “Em Sergipe, os casos não são altos, mas acredito que pode ser devido a uma subnotificação. Com este inquérito, teremos um estudo real dos casos da doença em Sergipe, aproximando-nos da realidade”.

Enquanto, o estudo toma forma ao redor do Brasil e em breve no nosso Estado, profissionais da área são unânimes sobre importância do exame preventivo e incentivam os criadores a testarem seus animais com frequência. A prevenção evita prejuízos econômicos para os criadores, que podem ter todo seu rebanho contaminado, e protege a população do consumo de carne e do leite e seus derivados de animais contaminados, que comprometem a saúde do homem. “Existe um risco de infecção por ingestão da carne e do leite não pasteurizado. Essa contaminação também pode acontecer através da manipulação da carne, por exemplo antes, de ir à panela. A melhor forma de evitar danos à saúde, é conscientizar os criadores da importância do exame”, finaliza Edizio Azevedo.

Last Updated on 4 de novembro de 2022 by carlos.mariz