Emdagro leva hortoterapia ao CAPS de Laranjeiras e transforma rotina de usuários com o Programa Cultivando Horta

Iniciativa une saúde mental, inclusão social e produção de alimentos saudáveis por meio da prática agrícola

A rotina dos usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) José Fernando Mecenas, no município de Laranjeiras, ganhou um novo significado com a implantação do Programa Cultivando Horta – Alimento Seguro e Saudável na Mesa, desenvolvido pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). A ação tem como foco promover inclusão, bem-estar e qualidade de vida por meio da hortoterapia.Criado em 2023, o programa atende a uma demanda do próprio CAPS, que buscava ampliar suas atividades socioeducativas. A proposta vai além do cultivo de alimentos: utiliza o contato com a terra como ferramenta terapêutica, baseada no método do “aprendizado pela prática”, estimulando habilidades, autonomia e interação social entre os participantes.

Para o usuário Célio Marcos dos Santos Resende, a experiência tem sido transformadora. “Para mim é um privilégio muito grande participar aqui dessa horta porque ela é uma terapia. Aqui a gente esquece dos problemas do dia a dia. Quando chegamos e encontramos essa atividade, a gente foca nela e isso é muito bom, porque deixa a mente mais leve. Eu melhorei bastante minha condição psicológica. Antes vivia isolado, dentro de um quarto, e hoje fiz amizades, participo de oficinas e da horta, que é a minha preferida”, relata.

A coordenadora do CAPS e assistente social, Leila Taize Figueiredo Costa, destaca a importância da parceria com a Emdagro para o fortalecimento das ações de saúde mental. “Aqui no CAPS Laranjeiras temos uma equipe multiprofissional e diversas oficinas. A novidade deste ano é a hortoterapia, que tem sido fundamental. Essa parceria com a Emdagro fortalece diretamente a saúde mental dos nossos usuários”, afirma.

Um dos diferenciais do programa é a participação ativa dos assistidos em todas as etapas do processo. Desde o planejamento inicial, com a construção do projeto “A horta dos nossos sonhos”, até o plantio e manejo, tudo é desenvolvido de forma coletiva, respeitando as particularidades de cada participante e incentivando o protagonismo.

Esse envolvimento tem gerado impactos positivos no cotidiano dos usuários. “Eu acordo pensando na horta e sinto minha mente mais leve quando estou perto da natureza”, conta Silvio Correia das Neves Filho, integrante do grupo.

Os primeiros plantios começaram em setembro de 2025, após um intenso trabalho de preparação do solo, que apresentava grande quantidade de pedras. A superação desse desafio só foi possível graças ao apoio de diversos parceiros, incluindo as secretarias municipais de Agricultura, Saúde, Educação e Assistência Social de Laranjeiras e Riachuelo, além de associações locais e dos próprios usuários. Foram doados insumos e equipamentos como areia vegetal, ferramentas, mangueiras, caixa d’água e até maquinário, fundamentais para a estruturação da horta.

Mesmo com limitações iniciais, a produção atendeu às expectativas e segue em expansão. Em 2026, o grupo retomou as atividades com novos plantios, análise de solo, definição de culturas, intercâmbios com outras experiências e a implantação de um jardim sensorial, ampliando ainda mais o alcance terapêutico da iniciativa.

Além da horta, o CAPS oferece outras atividades como produção artesanal, letramento, oficinas com argila e práticas corporais, como futsal e exercícios funcionais, compondo uma abordagem integral no cuidado com os usuários.

Para a gestora do programa, Abeaci dos Santos, o impacto vai muito além da produção agrícola. “A experiência do Cultivando Horta junto aos usuários do CAPS é algo muito especial. Estamos contribuindo para romper o isolamento e a exclusão, trazendo essas pessoas para mais perto da natureza. É emocionante ver a transformação, a alegria ao colher o que plantaram, o fortalecimento da autonomia e da saúde mental. Isso não tem preço e nos motiva a continuar”, destaca.

A iniciativa reforça o papel da extensão rural como ferramenta de transformação social, mostrando que, com cuidado, inclusão e oportunidade, é possível cultivar muito mais do que alimentos: é possível cultivar dignidade, pertencimento e novas perspectivas de vida.

Seagri e empresa vinculadas levam serviços e fortalecem agroecologia durante o ‘Sergipe é aqui’ em Itabaiana

Na ocasião, governador Fábio Mitidieri entregou os Certificados de Produtor Orgânico para duas Organizações de Controle Social (OCS)

 


A 71ª edição do programa Sergipe é aqui, que aconteceu nesta sexta-feira, 10, em Itabaiana, contou com os serviços e ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e suas vinculadas. Serviços essenciais e ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar estiveram disponíveis durante todo o dia, nos estandes da Agricultura, Coderse e Emdagro, que atraíram um grande público.

No local, foi disponibilizado pela Emdagro a emissão do Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), entrega de certificados de vacinação de animais contra Brucelose e Clostridiose, distribuição gratuita de mudas frutíferas e a entrega de amostras de solo para análises junto ao Instituto Tecnológico e de Pesquisas de Sergipe (ITPS).

Um dos destaques da programação em Itabaiana foi a exposição de produtos agroecológicos, que reuniu hortaliças, frutas, mel, pimentas, geleias e outros itens, oriundos da agricultura familiar, valorizando a produção sustentável e o consumo de alimentos saudáveis. A ação contou com a participação de representantes das Organizações de Controle Social (OCS) do Agreste Central, de Areia Branca, e Garangau, de Campo do Brito.

Na ocasião, o governador Fábio Mitidieri entregou os Certificados de Produtor Orgânico, emitidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) às duas OCS presentes. A agricultora Élida Rosa Vieira, presidente da OCS Agreste Central, ficou satisfeita ao receber o documento das mãos do chefe do Executivo. “É muito importante a gente ter esse documento em mãos, que certifica nossos produtos perante o consumidor. Há 24 anos produzo itens orgânicos e com esse certificado do Ministério tenho como comprovar isso, na comercialização de meus produtos”, confirmou.

Também o produtor de orgânicos José Firmino de Oliveira recebeu o certificado do MAPA, representando o presidente da OCS do Garangau, José Adelson Fonseca. “Receber esse certificado para nós da agricultura orgânica é uma grandeza e representa o reconhecimento de todo o trabalho de uma vida. Desde o ano de 2000 que trabalho com esses produtos, abastecendo o município de Itabaiana e regiões circunvizinhas, então isso é muito importante para a confirmação do trabalho que realizamos”, disse o agricultor que cultiva hortaliças, frutas, verduras e tubérculos, entre outros produtos orgânicos, contando com a assistência técnica da Emdagro.

O que é uma OCS

OCS são uma ferramenta fundamental para o fortalecimento da agricultura orgânica, especialmente no contexto da agricultura familiar. Formadas por grupos de produtores, essas organizações garantem, de forma coletiva, a qualidade dos alimentos orgânicos, por meio de relações de confiança e responsabilidade compartilhada.

Diferente da certificação por auditoria, o controle nas OCS ocorre por meio da venda direta ao consumidor e da atuação conjunta dos próprios agricultores. Os grupos são cadastrados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), permitindo que seus membros integrem o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos.

Entre as principais características do modelo estão as visitas de pares — quando os próprios agricultores avaliam as propriedades uns dos outros —, o custo reduzido de produção e o incentivo à organização comunitária, além da troca de conhecimentos sobre práticas agroecológicas

Produtos agroecológicos

Convidado para expor e comercializar seus produtos no estande da Emdagro, o produtor Carlos César dos Santos, do Recanto dos Orgânicos, destacou a importância dessa iniciativa do Governo do Estado. “Foi uma experiência nova e muito positiva para nós produtores orgânicos. A Emdagro é uma grande parceira e está sempre presente, nos apoiando. Achei muito proveitoso, a feira foi bastante movimentada e contou com uma grande participação do público”, afirmou o empreendedor que levou para o evento itens diferenciados da sua produção, como o mel artesanal, colhido de forma cuidadosa, e os molhos de pimenta, que já somam 18 sabores.“São molhos feitos com frutas e pimentas, totalmente naturais, sem conservantes. Trabalhamos com fermentação, o que dá um sabor único. É um produto diferenciado, que não se encontra em outro lugar do Brasil, da forma como fazemos”, explicou. Com 14 anos de atuação na agricultura orgânica e certificação conquistada há seis anos, Carlos reforçou que mais importante que o selo é a consciência do produtor. “A certificação traz credibilidade, mas o mais importante é a consciência. É saber o que você está produzindo e oferecendo para sua família e para o consumidor”, pontuou.

Também para Marcelo Pulido, produtor do Sítio Sementes Voadoras, foi importante a oportunidade de expor e comercializar seus itens durante o “Sergipe é aqui”. “Foi um prazer enorme trazer nossos produtos agroecológicos, que seguem a mesma linha de trabalho desenvolvida pelo pessoal da Emdagro, baseada na agroecologia. É uma oportunidade de fortalecer a agroecologia e apresentar produtos artesanais ao público”, afirmou o produtor, que levou para o evento uma variedade de itens produzidos diretamente no sítio, com matéria-prima própria e controle artesanal de produção.

“A gente trabalha apenas com o que produz lá. Trouxemos licor de coco com açúcar mascavo, geleia de jabuticaba e também o vinagre de manga, que tem sido bastante procurado. São produtos naturais, com todo o cuidado no processo”, disse ao destacar os benefícios do vinagre artesanal, para a saúde. “Os vinagres de fruta são uma alternativa muito interessante, especialmente quando não são pasteurizados, como o nosso. Eles mantêm os micro-organismos vivos, que ajudam na saúde intestinal”, ressaltou.

Papel da Emdagro

Coordenador de Agroecologia e Produção Orgânica da Emdagro, Waltenis Braga Silva, destacou o papel da assistência técnica. “A Emdagro desempenha papel estratégico ao prestar assistência técnica e extensão rural (Ater) aos produtores, elaborar planos de manejo, participar das visitas de conformidade orgânica, promover capacitações em sistemas agroecológicos e apoiar a organização rural e o acesso a mercados institucionais, como o PAA e o PNAE”, pontuou.

“A participação da Emdagro no Sergipe é Aqui reforça o compromisso com o desenvolvimento rural sustentável, a valorização dos produtores locais e a ampliação do acesso às políticas públicas voltadas ao campo”, concluiu o coordenador de Agroecologia.

 

Sergipe é o 4º maior produtor de camarão do Brasil e impulsiona a aquicultura

Da produção de larvas ao beneficiamento industrial, atividade envolve produtores, assistência técnica do Governo do Estado e fiscalização sanitária, movimentando a economia em diversas regiões

A criação de camarão tem se consolidado como uma das atividades mais importantes da aquicultura em Sergipe, movimentando a economia local e gerando emprego e renda em diversas regiões. Em viveiros espalhados por áreas próximas a rios e estuários, produtores acompanham diariamente o desenvolvimento dos crustáceos, garantindo alimentação, manejo adequado da água e cuidados sanitários até o momento da colheita. Todo o trabalho é acompanhado pela gestão estadual, por meio da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).

A atividade, conhecida como carcinicultura, reúne uma cadeia produtiva que vai desde a produção de larvas até o beneficiamento do camarão para consumo, se consolidando como uma atividade estratégica para o desenvolvimento da aquicultura no estado. Resultado disso é que, hoje, Sergipe ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de camarão do Brasil. Estimativas recentes do setor, como as da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio-SE), apontam que a produção anual pode variar entre 10 mil e 12 mil toneladas.

Produção

Em municípios como Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros, a atividade tem ajudado a fortalecer a economia local e a gerar renda para muitas famílias. Antes de chegar aos viveiros de engorda, o camarão passa por um processo inicial de reprodução e criação em laboratório. Esse trabalho é realizado em empresas especializadas, responsáveis pela produção das chamadas pós-larvas, estágio em que os animais são comercializados para os produtores.

O processo começa com a reprodução dos camarões adultos e segue por diferentes fases de desenvolvimento até atingir o tamanho ideal para a venda, como explicou o engenheiro de pesca de uma dessas empresas produtoras de camarão, Victor Jing Dong Moreira Xu. “O processo começa na maturação dos camarões adultos que, depois, geram as ovas e os náuplios, primeiro estágio do animal. A partir daí ele passa pelas fases de larvicultura até chegar à pós-larva, que é o estágio ideal para ser comercializado aos produtores”, pontuou.

Todo esse processo ocorre com acompanhamento técnico e controle sanitário, garantindo que os animais cheguem aos produtores com qualidade e segurança.

Já a etapa de engorda dos camarões ocorre nos viveiros instalados em áreas próximas a rios e estuários. Nessas propriedades, os produtores realizam o manejo da água, a alimentação e o acompanhamento do desenvolvimento dos animais até o momento da colheita.

O carcinicultor José Eduardo de Oliveira Góis, que possui viveiros na região da Taiçoca de Fora, em Nossa Senhora do Socorro, destaca a importância do acompanhamento técnico para garantir a qualidade da produção. “O trabalho de cadastramento é muito importante porque garante o controle da produção e a qualidade do camarão. Caso surja algum problema sanitário, os órgãos já têm onde atuar rapidamente, evitando prejuízos para o produtor e garantindo que o consumidor receba um produto seguro”, afirmou.

Segundo José, a orientação técnica da Emdagro e a atuação integrada dos órgãos públicos contribuem para fortalecer toda a cadeia produtiva. “Quando há acompanhamento técnico e orientação, todos ganham: o produtor, que tem mais rentabilidade, e o consumidor, que recebe um produto de melhor qualidade”, acrescentou.

Controle sanitário da produção

O monitoramento sanitário é realizado pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe, órgão responsável pela defesa sanitária animal no estado. A médica veterinária da Emdagro Sônia Angélica Souza Silva explica que o objetivo é cadastrar os produtores e monitorar a movimentação dos animais aquáticos no estado. “Nosso trabalho é cadastrar os produtores e controlar o trânsito dos animais aquáticos para evitar que doenças entrem no estado ou se espalhem. Com esse monitoramento, conseguimos rastrear rapidamente qualquer problema sanitário”, frisou.

Segundo Sônia, o cadastro dos produtores também facilita a identificação das propriedades e permite uma atuação mais rápida caso seja necessário conter alguma enfermidade. “Muitos aquicultores não se veem como pecuaristas, mas a legislação considera essa atividade dentro da pecuária e exige o cadastro no órgão de defesa sanitária”, acrescentou.

Beneficiamento e comercialização

Após a colheita, o camarão segue para as unidades de beneficiamento, onde passa por etapas de limpeza, processamento e conservação antes de chegar ao consumidor.

Em outra empresa produtora de camarão localizada na Barra dos Coqueiros, o produto passa por um rigoroso controle de qualidade desde a chegada da matéria-prima até a expedição. A médica veterinária da empresa, Bruna Rayssa Gomes Oliveira, detalha os processos que envolvem a atividade. “A primeira etapa é a recepção da matéria-prima, quando avaliamos a temperatura, a aparência e a qualidade do produto. Depois, o camarão passa por lavagem, processamento e segue para refrigeração, congelamento e expedição. O controle de temperatura é um dos principais fatores para garantir a segurança do alimento. Utilizamos câmaras frigoríficas em todas as etapas e transporte adequado para garantir que o produto chegue ao consumidor dentro dos padrões de qualidade exigidos”, destacou.

O acompanhamento das agroindústrias também faz parte do trabalho realizado pela Emdagro, que realiza inspeções periódicas para garantir que as normas sanitárias sejam cumpridas. Segundo a médica veterinária da empresa pública, Roberta Bruna Fidelis Lins Peixoto, o controle começa ainda antes da construção das unidades de beneficiamento. “A inspeção começa na análise do terreno e das instalações. Em seguida, quando a agroindústria entra em funcionamento, seguimos acompanhando o processo produtivo para garantir que o produto esteja dentro dos padrões sanitários”, explicou.

Durante as inspeções, também são avaliadas as condições de higiene e o fluxo de produção dentro das agroindústrias. “Observamos os hábitos higiênicos dos manipuladores, se estão utilizando touca, máscara e outros equipamentos de proteção, além de verificar se o fluxo de processamento evita riscos de contaminação cruzada”, apontou Roberta.

Além da análise das instalações, a equipe realiza, ainda, coletas de produtos para exames laboratoriais. “Verificamos se o camarão atende aos padrões físico-químicos e microbiológicos definidos pelo regulamento técnico de identidade e qualidade. Um dos pontos avaliados é o nível de metabissulfito de sódio, um conservante utilizado no processamento do camarão. Esse produto precisa estar dentro do limite máximo permitido, que é de 100mg/kg. Caso ultrapasse, o lote é apreendido e descartado”, destacou.

Acesso a políticas públicas

Outro instrumento importante para o fortalecimento da atividade é o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), documento que permite aos produtores acessar políticas públicas voltadas ao setor rural. Conforme o engenheiro agrônomo da Emdagro Adailton dos Santos, o cadastro é essencial para que agricultores e aquicultores possam participar de programas governamentais. “O CAF habilita o produtor a acessar crédito rural, programas de compras institucionais e outras políticas públicas do Governo Federal. Apesar do nome Cadastro da Agricultura Familiar, ele também engloba outras atividades. A aquicultura, como a carcinicultura e a piscicultura, também está amparada pelo CAF, assim como pescadores artesanais, extrativistas e outros trabalhadores que vivem dessas atividades”, reforçou.

Fonte/Foto: ASN

 

Projeto transforma cascos de caranguejo e siri em biofertilizante para a agricultura familiar

Iniciativa sustentável em São Cristóvão une marisqueiras, pescadores e agricultores na produção de insumo orgânico que fortalece a produção rural e reduz impactos ambientais

Uma iniciativa inovadora está transformando resíduos de crustáceos em oportunidade para o fortalecimento da agricultura familiar em Sergipe. Em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), a Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), iniciou a implantação de um projeto pioneiro que utiliza cascos de caranguejo e siri, especialmente do caranguejo uçá, para a produção de biofertilizante destinado aos produtores rurais do município.

A diretora de Aquicultura e Pesca da Prefeitura de São Cristóvão, vinculada à Secretaria Municipal de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), Elaine de Jesus, disse que a ação é resultado de diagnóstico feito nas comunidades pesqueiras. “A ação nasceu a partir de um diagnóstico técnico realizado na comunidade do povoado Tinharé, tradicional vila de marisqueiras e marisqueiros de São Cristóvão. Durante as visitas de campo, técnicos identificaram o descarte inadequado dos cascos de caranguejo, resíduo que, além de gerar impactos ambientais, poderia ser reaproveitado de forma produtiva”.

Para o chefe do escritório local da Emdagro em São Cristóvão, engenheiro agrônomo Renato Figueiredo, o projeto demonstra como a extensão rural pode gerar soluções práticas e sustentáveis para desafios enfrentados pelas comunidades. “A partir dessa demanda da própria comunidade, a equipe técnica da Emdagro, em parceria com a Semagri, desenvolveu uma alternativa sustentável: a produção de um biofertilizante foliar orgânico. O processo começa com a trituração dos cascos, que são transformados em farinha e posteriormente submetidos a um processo de fermentação biológica utilizando esterco bovino fresco”.

O engenheiro agrônomo Renato Figueiredo explicou que o diferencial do produto está na composição, rica em nutrientes, microrganismos benéficos e, principalmente, na presença de quitina, substância natural encontrada nos exoesqueletos de crustáceos. “Durante a fermentação, a quitina é convertida em quitosana, composto reconhecido por estimular os mecanismos naturais de defesa das plantas. Esse processo contribui para a prevenção de doenças, aumenta a resistência das culturas a pragas e favorece o desenvolvimento vegetativo das plantas. A quitosana também melhora a absorção de nutrientes pelas lavouras e potencializa a resposta imunológica das culturas, podendo reduzir a necessidade do uso de insumos químicos e tornar a produção mais sustentável e economicamente viável. Aplicado por pulverização, o biofertilizante foliar proporciona nutrição rápida às plantas e reforça a produtividade das lavouras. O tempo médio de preparo do produto varia entre 30 e 60 dias, e a expectativa é de que a iniciativa beneficie cerca de quatro mil produtores locais”, detalhou o engenheiro.

A experiência piloto foi aplicada na propriedade de uma moradora da comunidade, a produtora Andréia Cristina Lima dos Santos. “Coloquei minha propriedade à disposição dos demais moradores da comunidade, porque vi que essa iniciativa resolve dois problemas. Estamos aproveitando um resíduo abundante da atividade das marisqueiras para gerar um insumo agrícola de alto valor, que fortalece a agricultura familiar e promove a sustentabilidade”, destacou.

O representante da Associação do Povoado Tinharé, José Valmiro Alves dos Santos, afirmou que a iniciativa ainda visa amenizar o impacto da atividade ao ambiente e na saúde dos moradores locais. “Para a comunidade, essa poluição não é benéfica, porque grande parte das cascas de mariscos acumula água, favorecendo a reprodução de mosquitos da dengue. Além disso, há uma grande quantidade de lixo nos quintais, com mau cheiro, e tudo isso prejudica a saúde”. Ele acrescenta que a inovação será positiva, pois eliminará esse descarte irregular, que será transformado em biofertilizante, beneficiando outras pessoas, como os agricultores familiares.

Meio ambiente agradece

De acordo com as instituições parceiras, Emdagro e Semagri, o projeto ainda fortalece a inclusão social ao integrar marisqueiras, pescadores e agricultores familiares em uma cadeia produtiva circular, na qual o resíduo de uma atividade passa a ser insumo estratégico para outra. Como política pública estruturada, o biofertilizante produzido será adquirido pela Prefeitura de São Cristóvão e destinado aos produtores rurais cadastrados no município, garantindo acesso a um insumo sustentável, de baixo custo e com respaldo técnico, ampliando as condições para uma produção agrícola mais eficiente e ambientalmente responsável.

 

Emdagro inicia Campanha de Atualização Cadastral de Rebanhos em Sergipe

A partir de 1º de abril, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) estará condicionada à regularização cadastral


O Governo de Sergipe, por meio da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), dará início, no próximo dia 1º de abril, à Campanha de Atualização Cadastral de Rebanhos, que seguirá até 31 de maio em todo o estado.

A atualização cadastral já é uma exigência legal há mais de dois anos. No entanto, durante o período da campanha, a Emdagro reforça a obrigatoriedade da atualização para todas as espécies de interesse pecuário, incluindo bovinos, bubalinos, suínos, ovinos, caprinos, equinos, asininos, muares, aves, animais aquáticos e abelhas.

“A campanha é uma oportunidade de reforçar junto aos produtores a importância da atualização cadastral, que já é obrigatória, mas que agora ganha ainda mais relevância. Esses dados são fundamentais para garantir a segurança sanitária dos rebanhos, orientar políticas públicas e dar mais eficiência às ações de defesa agropecuária no estado”, destacou a diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade.

O procedimento consiste na atualização das informações pessoais do produtor, dados da propriedade rural, além do saldo e da estratificação dos rebanhos. A responsabilidade é do proprietário ou de quem detenha a posse ou guarda dos animais.

O produtor que não realizar a atualização dentro do prazo será considerado inadimplente e poderá sofrer penalidades previstas na Lei nº 9.309, de 23 de outubro de 2023.

Outro ponto importante destacado pela Emdagro é que, a partir de 1º de abril, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) estará condicionada à regularização cadastral das propriedades envolvidas, tanto de origem quanto de destino.

Para realizar o procedimento, o produtor pode acessar o site da Emdagro ou utilizar o sistema SIAPEC3. Também há a opção de envio das informações via WhatsApp, pelo número (79) 99982-3828, ou pelo e-mail atualizacaorebanho@emdagro.se.gov.br. O atendimento presencial segue disponível nos escritórios da empresa em todo o estado.

A Emdagro orienta que os produtores não deixem para a última hora, garantindo a regularidade da propriedade e evitando restrições na emissão de documentos essenciais para a atividade pecuária.

Produtores recebem sementes de palma forrageira para fortalecer pecuária no semiárido

No acumulado entre 2023 e 2026, o programa soma mais de 1,08 milhão de raquetes distribuídas, beneficiando 857 produtores em 38 municípios

Cerca de 144 produtores em oito municípios do semiárido sergipano estão recebendo sementes de palma forrageira. A ação é realizada pelo Governo do Estado de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), que iniciou no último dia 26 de março, a entrega de 138.520 raquetes, por meio do Programa Sementes do Futuro – Palma. As ações iniciaram, nas Comunidade Lagoa Grande e na Colônia Agrícola Nossa Senhora de Lourdes, no município de Nossa Senhora da Glória, e se estenderão para os demais municípios.

A iniciativa tem como principal objetivo estimular a formação de campos de multiplicação de palma forrageira, além do plantio direto, ampliando a reserva estratégica de alimento para o rebanho bovino, especialmente em períodos de estiagem prolongada. O programa se consolida como uma importante ferramenta de fortalecimento da pecuária leiteira no semiárido sergipano.

De acordo com o diretor de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa da Emdagro, Jean Carlos Nascimento Ferreira, a ação representa um avanço concreto no apoio ao produtor rural. “Estamos investindo em uma tecnologia simples, mas extremamente eficiente para a convivência com o semiárido. A palma forrageira garante segurança alimentar para o rebanho e reduz os impactos da seca, dando mais estabilidade à produção e à renda do agricultor”, destacou.

Para o presidente da Associação de Produtores do povoado Lagoa Grande, Adalto Conrado, a iniciativa chega em um momento decisivo para o campo. “A gente só tem a agradecer ao Governo do Estado por esse apoio. A palma chega num momento crucial pra gente, principalmente por causa da seca. É o que vai garantir alimento pro nosso rebanho e dar mais segurança ao produtor”, afirmou.

A agricultora do povoado Lagoa Grande, Carla dos Santos, também destacou a importância da ação. “Essa distribuição chega em boa hora. A gente precisa desse apoio para continuar produzindo e alimentando nossos animais, principalmente em tempos difíceis como os de seca”, ressaltou.

Evolução do programa

Desde sua implementação, o programa vem mantendo a entrega de sementes sem interrupção. Em 2023, foram distribuídas 286 mil raquetes da variedade Orelha de Elefante Mexicana, beneficiando 190 produtores em sete municípios. Já em 2024, houve crescimento expressivo, com a distribuição de 362.600 raquetes da variedade IPA Sertânia, alcançando 259 produtores em 14 municípios. Para 2025, foram entregues 295.680 raquetes para 264 produtores em 17 municípios, enquanto agora em 2026 estão sendo distribuídas 138.520 raquetes para 144 produtores em oito municípios.

No acumulado entre 2023 e 2026, o programa soma mais de 1,08 milhão de raquetes distribuídas, beneficiando 857 produtores em 38 municípios, com investimento superior a R$ 500 mil. Cada produtor contemplado recebe 14 sacos, contendo 70 unidades de raquete de palma, garantindo condições adequadas para implantação das áreas produtivas.

Adaptando às necessidades

Uma das mudanças estratégicas do programa foi a substituição da variedade Orelha de Elefante Mexicana pela IPA Sertânia, a partir de 2024, atendendo a uma demanda dos próprios produtores. Embora resistente à cochonilha do carmim, a variedade mexicana apresenta espinhos que dificultam o manejo. Já a IPA Sertânia mantém alta produtividade, resistência à praga e melhor aceitação pelos animais, além de não possuir espinhos, facilitando o trabalho no campo e aumentando a segurança dos agricultores.

 

Seagri atende população de Japoatã com diversos serviços durante a 70ª edição ‘Sergipe é aqui”

Município da região do Baixo São Francisco recebeu ações e serviços da Seagri e suas vinculadas

O município de Japoatã, distante 93 quilômetros de Aracaju, recebeu, nesta quinta-feira, 26, a 70ª edição do programa itinerante ‘Sergipe é aqui’, com ações realizadas no entorno do Centro de Excelência Josino Menezes. Localizado na região do Baixo São Francisco, o município possui uma economia baseada na agricultura e pecuária, com destaque para a produção de frutas, abrangendo grande parte do Platô de Neópolis. Durante o evento, o Governo do Estado transferiu simbolicamente a sua sede para a cidade e ofertou um leque de serviços para a população local, contando mais uma vez com a participação da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), juntamente com suas vinculadas: Coderse, Emdagro e Pronese.

A ação realizada no estande da Agricultura promoveu a distribuição de 60 mudas de árvores frutíferas e a entrega de 40 amostras de solo para análise pelo Instituto Tecnológico e de Pesquisas de Sergipe (ITPS). Também no local foram disponibilizados os atestados de vacinação contra a Brucelose aos produtores responsáveis pelos 32 animais imunizados, somente nesses primeiros meses de 2026. Além disso, 40 agricultores inscritos no Cadastro de Agricultor Familiar (CAF), em Japoatã, puderam receber seu certificado no estande e serem atendidos pela equipe técnica da Emdagro.

Como foi o caso de Luciene Rezende dos Santos que foi até o local para receber seu CAF e buscar orientações sobre como poderia cadastrar também o seu filho de 18 anos. Moradora do Acampamento Maria Lindaura, ela saiu cedo de casa para poder aproveitar ao máximo o dia de atividades em Japoatã. “Toda a minha vida vivi da roça, onde criei meus cinco filhos e sei da importância desse documento. Agora, quero cadastrar meu filho, também, para ele ter os mesmos benefícios”, contou a agricultora que planta milho, mandioca, macaxeira e amendoim, entre outras culturas, com a ajuda da família.

O técnico em Enfermagem Márcio Ricardo Silva visitou o estande da Agricultura onde conseguiu uma muda de jambo, para plantar em seu sítio. “No terreno de minha família, temos muitas fruteiras, como coqueiro, pés de siriguela, de cajá e de manga, mas não tínhamos o jambo e, agora, vou cultivar com cuidado para termos essa fruta que gosto muito”, relatou Márcio que também atua como conselheiro tutelar em Japoatã.

O lavrador Manoel dos Santos Medeiros vive da agricultura e além de plantar mandioca, milho e feijão, gosta de cultivar árvores frutíferas para seu consumo e de sua família. “Tenho muitas espécies em meu sítio mas a carambola já tinha tentado antes e não consegui. Agora, vou plantar essa muda que ganhei e confiar que dessa vez vai dar certo”, afirmou satisfeito.

Coderse

Na 70ª edição do ‘Sergipe é aqui’, a Coderse levou o atendimento para demandas de infraestrutura hídrica de Japoatã, onde já foram perfurados 34 poços tubulares profundos. A companhia também apresentou à população o seu trabalho no Programa Água Doce. Por meio de uma maquete foi demonstrada aos visitantes a importância dos 32 sistemas de abastecimento de água dessalinizada implantados em localidades de nove municípios sergipanos do semiárido.

Japoatã também é um dos quatro municípios com áreas irrigadas pelo Distrito de Irrigação do Platô de Neópolis. Toda a infraestrutura de captação, distribuição de água e os 41 lotes empresariais, pertencem à companhia estadual. A associação dos concessionários administra o polo irrigado e a Coderse gerencia os contratos, fiscalizando a operação. O platô é responsável pela produção anual de quase 300 mil toneladas de frutas e hortaliças. São mais de 84,5 milhões de cocos verdes e 2.100.000 m² de grama ornamental e esportiva, gerando cerca de 3,2 mil empregos diretos na região.

 

Agrofloresta irrigada fortalece produção sustentável em comunidade quilombola de Capela

Sistema agroflorestal integra preservação ambiental, segurança alimentar e geração de renda para famílias da Comunidade Agrícola do Pirangi

 


A implantação de sistemas agroflorestais tem se consolidado como uma estratégia importante para promover a produção de alimentos, preservação ambiental e geração de renda no meio rural. Em Sergipe, uma dessas iniciativas vem sendo desenvolvida na Comunidade Agrícola do Pirangi, território quilombola localizado no município de Capela.

Na localidade, a Coordenadoria de Agroecologia e Produção Orgânica (COOAPO), da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), tem atuado junto aos agricultores da comunidade na gestão do projeto intitulado “Raízes do Desenvolvimento” que conta com financiamento internacional por meio do Fundo ECOS, iniciativa gerida pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), e tem como foco incentivar práticas produtivas sustentáveis que conciliam agricultura, preservação ambiental e melhoria das condições de vida no campo.

Entre as ações realizadas, está a instalação da irrigação por microaspersão que compõe uma agrofloresta. O kit é composto por tubulações, microaspersores e um reservatório com capacidade para armazenar até cinco mil litros de água. A estrutura garante o suporte hídrico necessário para o desenvolvimento das espécies cultivadas e contribui para maior segurança produtiva, especialmente em períodos de estiagem.

O sistema agroflorestal reúne diversidade de culturas, combinando espécies frutíferas — como manga, acerola, banana e pitanga — com plantas nativas, como a paineira, sibipiruna e ipês e cultivos tradicionais da agricultura familiar, a exemplo do milho, da mandioca e da batata-doce. Esse modelo produtivo favorece o uso equilibrado do solo, amplia a diversidade alimentar e fortalece a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

Para o engenheiro agrônomo da Emdagro, Lucas Travassos Déda, os sistemas agroflorestais representam uma alternativa produtiva que alia tradição agrícola e cuidado com o meio ambiente. “A agrofloresta permite produzir alimentos ao mesmo tempo em que recupera áreas degradadas e fortalece a biodiversidade. É um modelo que valoriza o conhecimento das comunidades e cria sistemas mais resilientes, capazes de garantir produção e sustentabilidade ao longo do tempo”, destaca.

Ainda de acordo com Lucas, as mudas frutíferas utilizadas na iniciativa são produzidas pela própria Emdagro, enquanto as espécies nativas são fornecidas pela Chesf e pela Codevasf, reforçando a atuação integrada entre instituições públicas e comunidades rurais. A próxima etapa, de plantio das mudas, será dia 18 de março em um área coletiva de um hectare definida pela comunidade.

A presidente da Associação da Comunidade Pirangi, Silvana Santos Barros Gonzaga, ressalta que o projeto representa um avanço importante para o desenvolvimento local e reflete uma parceria construída ao longo de décadas com a assistência técnica rural. Segundo ela, a Emdagro acompanha a comunidade desde 1994, prestando serviços de assistência técnica e extensão rural.

“Com a implantação do Programa Ater Mulher, essa parceria ficou ainda mais forte e eficaz. A Emdagro sempre esteve presente, orientando e caminhando junto com a comunidade. Hoje podemos dizer que Emdagro e Comunidade do Pirangi são verdadeiras parceiras no desenvolvimento do nosso território”, afirmou.

Silvana também destaca que a adoção do modelo agroflorestal exigiu um processo de construção coletiva e mudança de mentalidade entre os agricultores. “A gente precisou desenvolver uma consciência ambiental maior. Isso só foi possível depois de muita conversa, reuniões e orientação técnica sobre como fazer o casamento entre a floresta e a lavoura, produzindo sem destruir o que a natureza nos dá”, pontuou.

Como desdobramento do projeto “Raízes do Desenvolvimento”, a comunidade também planeja implantar uma agroindústria voltada para a produção de doces, bolos e para o beneficiamento de subprodutos da macaxeira, incluindo a comercialização da macaxeira embalada a vácuo. A iniciativa deverá ampliar as oportunidades de trabalho e gerar novas fontes de renda para as famílias da comunidade.

 

Ater Mulher fortalece autonomia produtiva de quilombolas com oficina de enxertia

Capacitação integra estratégia da Emdagro para geração de renda, sustentabilidade e valorização do saber popular no campo

Inserida em um processo contínuo de fortalecimento da autonomia produtiva e social das mulheres do campo, a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) vem consolidando, por meio do Projeto Ater Mulher, uma agenda permanente de ações formativas junto às comunidades quilombolas do estado. Nesse contexto, a Comunidade Quilombola Patioba, no município de Japaratuba, foi contemplada com mais uma oficina de capacitação, desta feita voltada à enxertia em mudas frutíferas, técnica estratégica para ampliar a sustentabilidade e a geração de renda na agricultura familiar.

A atividade reuniu 35 participantes, entre mulheres quilombolas beneficiárias do projeto, equipe técnica da Emdagro e alguns homens da comunidade, que também participaram da oficina por reconhecerem a relevância da temática para o fortalecimento da produção local. A presença masculina, segundo os organizadores, reforça o caráter coletivo e integrador das ações desenvolvidas no território.

A oficina foi conduzida pelo técnico Manoel Menezes, da Emdagro, que através de uma abordagem prática e linguagem acessível, transformou o momento em um espaço de diálogo e troca de saberes entre técnicos e agricultores. “É muito bom esse contato direto com homens e mulheres do campo, porque a gente tem chance de trocar experiência”, destacou Menezes.

Os conteúdos trabalhados foram organizados em etapas teóricas e práticas, sempre estimulando a participação ativa dos envolvidos. Entre os temas abordados estiveram os materiais necessários para a realização da enxertia, os diferentes tipos de enxerto, a possibilidade de enxertia entre espécies distintas, o tempo de desenvolvimento das plantas e a importância da técnica para a diversificação e melhoria da produção frutícola. Durante o processo, as participantes compartilharam vivências e experiências já desenvolvidas em suas propriedades.

Aprendizado pela prática

O momento prático ganhou destaque ao adotar a metodologia do “aprendizado pela prática”, permitindo que as mulheres realizassem diretamente os enxertos. Para a atividade, a Emdagro disponibilizou 67 mudas frutíferas, entre elas jaca, carambola, seriguela, jambo, tamarindo, pitomba e pitanga. Parte das mudas foi utilizada durante a oficina e o restante doado às participantes, enquanto representantes da comunidade também contribuíram com mudas trazidas de suas propriedades.

Para a assessora técnica da Emdagro, Abeaci dos Santos, a ação reforça a importância de reconhecer e fortalecer o conhecimento construído historicamente no meio rural. “Quando valorizamos o conhecimento popular, entendemos que homens e mulheres do campo são plenamente capazes de construir uma base sustentável de desenvolvimento em suas próprias comunidades”, observou, ao destacar o papel do Ater Mulher na promoção da autonomia produtiva e social das famílias atendidas.

As atividades desenvolvidas na Comunidade Patioba integram um conjunto mais amplo de ações previstas pelo Projeto Ater Mulher, que contempla oficinas e capacitações em áreas como criações animais, agroecologia, corte e costura, produção artesanal e processamento da produção. Parte dessas iniciativas é financiada pelo próprio projeto e outras contam com parcerias institucionais, a exemplo do Banco do Nordeste.

A relevância das ações é potencializada pelo fato de a comunidade contar com um espaço de processamento de frutas e outros produtos alimentícios, recentemente construído. No local, são produzidos derivados do caju, bolos e outros alimentos, alguns deles comercializados por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com fornecimento para escolas de diversos municípios da região, ampliando as oportunidades de geração de renda local.

Com uma atuação continuada e integrada, a Emdagro reafirma, por meio do Ater Mulher, seu compromisso com o desenvolvimento rural sustentável, a valorização das mulheres do campo e o fortalecimento das comunidades quilombolas sergipanas.

Emdagro debate processamento de frutas e geração de renda para mulheres

Encontro promovido pela Emdagro reuniu agricultoras para discutir aproveitamento da produção local e definir oficinas formativas a partir de fevereiro

Uma roda de conversa realizada com as mulheres do Assentamento de Reforma Agrária Priapu, esta semana, no município de Santa Luzia do Itanhy, abriu espaço para o compartilhamento de propostas de trabalho voltadas ao processamento de frutas e a outras atividades produtivas capazes de gerar trabalho e renda para as mulheres da comunidade. A ação integra o conjunto de iniciativas desenvolvidas pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), por meio do escritório regional de Estância.

O encontro contou com a participação de 11 mulheres do assentamento e da equipe técnica da Emdagro lotada em Aracaju, formada pelas assessoras Abeaci dos Santos, Elizabeth Denise Campos e Maria Cleusa Guimarães. Durante a roda de conversa, as participantes compartilharam vivências pessoais e coletivas, com destaque para os relatos da juventude do assentamento.

As discussões abordaram histórias de vida dentro e fora da comunidade, as possibilidades de dinamizar os potenciais produtivos existentes e a importância da organização social como ferramenta de fortalecimento econômico. Também foram citadas iniciativas locais, como feiras, eventos comunitários e datas simbólicas, a exemplo da comemoração da conquista da terra, celebrada em 5 de março, vistas como oportunidades estratégicas para ampliar a geração de renda das famílias.

Para a assessora técnica da Emdagro, Abeaci dos Santos, o momento foi fundamental para ouvir as mulheres e construir coletivamente os próximos passos. “Essa escuta é essencial para que as ações tenham sentido real na vida das mulheres do assentamento. Quando elas compartilham suas histórias, seus saberes e suas expectativas, conseguimos planejar oficinas e atividades que dialogam com a realidade local e valorizam os potenciais que já existem na comunidade”, destacou.

Com foco no aproveitamento da produção local, especialmente de frutas e verduras, o grupo definiu uma série de encaminhamentos. Entre eles, o mapeamento do volume produzido no assentamento, com o objetivo de orientar de forma mais precisa os processos de beneficiamento e processamento. Também ficou definida a realização das primeiras oficinas formativas no mês de fevereiro, após o período do Carnaval, com datas sugeridas para os dias 3, 10 e 24, no turno da tarde, das 13h às 16h, considerando que algumas participantes estudam pela manhã.

Outro encaminhamento foi o levantamento prévio dos materiais necessários para a realização das oficinas, além da promoção de uma nova roda de conversa entre as técnicas da Emdagro que poderão atuar como facilitadoras. Participarão desse momento profissionais dos municípios de Lagarto, Simão Dias, Estância e Ribeirópolis, com o objetivo de alinhar as estratégias metodológicas a serem aplicadas nas atividades formativas.

Com 36 anos de existência, o Assentamento Priapu já não mantém vínculo institucional com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o que reforça a importância de ações articuladas com a Emdagro no sentido de contribuir para o fortalecimento produtivo, social e econômico das famílias, especialmente das mulheres, protagonistas das iniciativas debatidas no encontro.

 

Última atualização: 1 de abril de 2026 11:05.